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domingo, 2 de junho de 2019

Sapatos para Dançar - mitos, verdades e dicas


Muitas pessoas me perguntam sobre sobre sapatos para dançar. Onde compro, que sapato devo usar, precisa ter salto alto, essas e outras dúvidas são comuns para quem está começando a se aventurar na prática de Dança de Salão.

Existem milhões de danças no mundo todo. Mais conhecidas ou menos conhecidas, todas elas tem algo em comum: precisam do corpo, em tempo real, sua pausa, seu movimento, para existir como expressão. Lembre-se disso! Pois, por mais interessante, bonito, elegante, engraçado, inusitado, diferente, que seja o adereço que você escolher para dançar, o que realmente vai importar é o que está dentro dele, isto é, você. O modo como você se sente e se expressa quando dança é muito mais importante do que o que está em volta do seu corpo. O adereço é um "algo a mais", que você agrega à sua dança.


Muitas danças, inclusive, não utilizam nenhum calçado, apenas o pé descalço. Outras, utilizam calçados especiais, que não podemos usar para andar normalmente pela rua, apenas durante a dança, como é o caso das sapatilhas, protetores plantares, meias, etc. Outras ainda, utilizam adereços bem expressivos, cênicos, bastante chamativos, que podem ser vistos de longe, como as sandálias plataforma das passistas de escola de samba e calçados que demonstram habilidades especiais como as sapatilhas de ponta de balé clássico e os tamancos usados pelas gueixas em danças orientais.


Os calçados já possuem em nossa cultura uma aura de fetiche, sapatinhos vermelhos que dançam sozinhos, sapatinhos brilhantes que te trazem de volta para casa, sapatos de salto agulha são relacionados à sensualidade, e assim por diante. Então não é de se espantar que haja um certo fetiche envolvendo os calçados na dança.

Mas isso não quer dizer que você precise de um calçado específico para dançar. A saga da busca pelo calçado de dança pode acabar se tornando uma desculpa para não dançar ou uma preocupação desnecessária. As dicas que darei à seguir são para ajudar, não para atrapalhar.

O calçado é uma ferramenta pela qual também nos expressamos, ele complementa o significado de tudo o que estamos comunicando quando dançamos. Por isso, é comum quem gosta de dançar, querer escolher cuidadosamente o sapato que irá utilizar.
Há a questão estética, que se relaciona com a personalidade da pessoa, mas também há a questão técnica, da escolha de uma ferramenta que nos auxilie na tarefa de dançar.


O calçado de um dançarino é como o pincel de um pintor. Você não precisa de um pincel específico para pintar, você pode pintar com qualquer pincel, aliás, você nem precisa de um pincel, você pode pintar com os seus dedos, sua mão, uma esponja, um graveto, com lápis de cor, canetinha... Já deu pra entender, né? rsrsrs Mas uma ferramenta adequada ajuda. Há pincéis específicos para cada técnica de pintura.

Isso tem a ver com o que falei antes, que, mais importante que o adereço, é o corpo que se expressa. Você pode me dar o pincel mais "tchan tchan tchun tchun" do mundo, ainda assim o que eu pintar vai ser o que está dentro das minhas possibilidades. Se fosse possível pedir para o Van Gogh pintar com um cotonete velho, seja o que fosse que ele pintasse, seria muito mais interessante, com certeza, porque é o artista que conta, a expressão de cada ser.

Agora, só porque eu não pinto como o Van Gogh, nunca mais vou pintar na minha vida? Não, né... Vou pintar sim, se eu quiser, do jeito que eu quiser, com o material que eu quiser e ser feliz. rsrsrs

Um pintor profissional com certeza buscaria as ferramentas que melhor servissem para o seu trabalho. Com um pincel melhor, vamos nos cansar menos quando pintarmos, evitamos machucar o pulso, por exemplo, conseguimos diferentes efeitos com cada tipo de pincel, e o traço da tinta sairá mais bonito.

Explicado tudo isso, as dicas que vou dar a seguir são para ajudar a melhorar a sua performance na dança, um sapato adequado vai ajudar a tornar mais fácil a execução de alguns movimentos, deixar mais bonita a linha do seu pé e da sua perna, te dar mais estabilidade e equilíbrio, vai ser mais confortável e evitar que você se machuque.



Um sapato para dança de salão precisa ter 3 coisas (só três, olha que fácil!):
- Precisa ser flexível
- Precisa prender no tornozelo
- Precisa deslizar

Anotou? Pois é, simples assim, tendo essas 3 coisas, o sapato pode ser usado para dançar, não importando se você comprou numa loja de artigos para dança, num brechó ou numa loja qualquer de calçados.

Agora os porquês:

O calçado precisa ser flexível para permitir a articulação dos ossos pé, principalmente dos dedos e metatarso. Então NÃO são indicados sapatos com solado de madeira, anabela, plataforma, meia pata, etc., que sejam duros. Um pé que consegue pisar melhor no chão e ter flexibilidade, consegue amortecer melhor a pisada, tem mais agilidade, reflexo e equilíbrio, evitando que você se machuque e mostrando mais a linda linha do seu pé.


É importante que o sapato prenda no tornozelo, senão, a cada passo que você der o calcanhar do sapato sai, fica lá no chão, enquanto o calcanhar do pé sobe. Nada elegante, mas também atrapalha a agilidade e pode causar um pequeno acidente, ocasionando quedas, torsões, etc. Então NÃO é bom usar chinelos, tamancos e outros calçados que não sejam presos ao tornozelo.




O sapato deve ter uma sola deslizante, porque muitos movimentos em dança de salão necessitam que os pés deslizem pelo chão. Por esse motivo NÃO são indicados calçados com sola de borracha e antiderrapante, como tênis de corrida, galochas, coturnos e outros. Além de atrapalhar e exigir maior esforço para deslizar, girar, fazer um twist ou pivot, por exemplo, um calçado que "gruda" no chão pode lesionar gravemente os seus joelhos.


"Ah! Mas se eu ficar andando por aí com sapatos lisos, vou escorregar e cair." Realmente. Esse é um dos motivos pelos quais as pessoas que frequentam bailes levam seus sapatos de dança numa sacola ou bolsa e trocam apenas quando já estão no ambiente de dança, isso evita as quedas pelo caminho e também faz com que seus calçados durem mais tempo.

Se você procura um calçado mais versátil, que sirva tanto para dançar quanto para andar na rua, recomendo os tênis para dança, eles são especialmente pensados para esse fim.

Mas claro que tudo isso depende de como é o piso onde você dança, que estilo de dança você pratica, qual a intensidade e a periodicidade com que você dança, entre outras coisas. Da última vez que fui à Buenos Aires, vi pessoas dançando tango de chinelo e all star. Já vi professores famosos de dança utilizando calçados que fugiam a essas regras. Então, ficam as dicas e você usa o seu bom senso para usar como quiser.

"Mas e o salto?"
Primeira coisa: o salto aparece nos 3 itens que o sapato precisa ter para dançar? Não. Então não precisa.
Quem vai definir a altura e a largura do salto do sapato que você vai usar vai ser você mesmo. O que você gostar mais, se sentir mais seguro, confortável, ou o você que achar mais bonito. Um salto inadequado, que te machuca, tira o seu equilíbrio, mesmo que seja lindo e te deixe mais alto, não vai ser funcional.

Se você deseja muito utilizar um salto com o qual não tem o costume de andar, treine, treine muito, use o sapato dentro de casa, utilize ele nas suas aulas e pratique com ele bastante antes de se arriscar com ele num baile (ou apresentação, etc.), assim você evita se machucar e machucar outras pessoas (tropeçando e caindo, por exemplo).

Um mito muito comum é acreditar que o salto alto confere boa postura. Galera, desculpa o balde de água fria, mas, por mais que ele possa ajudar, não é o pincel que faz a cor do Van Gogh ser linda. A boa postura está em você, no seu corpo, no modo como você dança, não no calçado. Seria muito bacana ter calçados mágicos, que você vestisse e ficasse com uma postura linda e saísse dançando como o Fred Astaire, mas isso ainda não existe (quem sabe um dia?). O único jeito de ter boa postura, de dançar com desenvoltura, é estudando, praticando.


"Ah! Mas eu preciso dançar com uma postura linda pra ser feliz?" Não. As pessoas já dançavam, e já existiam bailes, muito antes de existirem escolas de dança. As pessoas aprendiam a dançar vendo outras pessoas dançando, mais intuitivamente ou informalmente. Uma amiga que sabia, ensinava pra outra, por exemplo. Podemos ver isso em filmes de época. Mas aprimoramento nunca fez mal pra ninguém, viu? rsrsrs Ainda bem que o conhecimento é infinito e a gente sempre pode aprender mais, ía ser muito chato se existisse só isso que a gente já sabe, não é?

Em breve farei uma postagem sobre alguns lugares bacanas para comprar sapatos. Se tiverem mais dúvidas, basta deixar um comentário ou mandar um e-mail.

Boa sorte na escolha dos seus calçados!

terça-feira, 5 de junho de 2018

PROMOÇÃO!!!


Promoção imperdível para o mês de JUNHO de 2018!

Homenageando xs namoradxs.

Ao invés de presentear com flores, chocolate, ou outros objetos, presenteie, com uma experiência marcante, alguém que é importante pra você, inclusive você mesmo!

Entre em contato, tire suas dúvidas e agende agora mesmo sua aula de TANGO, BOLERO ou XOTE.

Aulas particulares para uma, duas ou até seis pessoas pelo mesmo valor.

💕   💕   💕

sexta-feira, 16 de junho de 2017

BAILE NOVO!


A primeira edição do BAILE NOVO, projeto de bailes de dança de salão com música ao vivo no Centro Cultural São Paulo, foi um sucesso!

Entraremos de férias agora em em julho, mas no segundo semestre voltaremos com força total e baile todos os meses!

Já anote na agenda as próximas datas: 11/8, 8/9, 13/10, 10/11 e 8/12.

O CCSP fica na Rua Vergueiro, 1000, em São Paulo - SP. Os bailes são sempre numa sexta-feira, das 18h30 às 20h30 e a entrada é franca.










quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A "Dama" na Dança de Salão.


Bom... respirem fundo, porque agora vou falar sobre um assunto polêmico! rsrsrs

Cada profissional ou amador da Dança de Salão tem uma opinião sobre como deve ser a relação entre as duas pessoas que dançam. Após muitos anos de estudo de referências, de história e de observação do ambiente social e profissional da dança, comecei a questionar  algumas "verdades absolutas" que ouvia em bailes e aulas.

A Dança é uma linguagem artística, uma manifestação cultural humana, portanto ela não existe separadamente de todos os códigos formais ou informais dos grupos onde ela é praticada. O que eu quero dizer com isso é que toda dança carrega os modos de ser da sociedade da qual ela faz parte.

Se formos pensar no ambiente onde as danças de salão nasceram, lá no seu "vovô", as danças de côrte européias, quantas regras sobre corpo e movimento, quantas regras sobre comportamento que não usamos mais, mas chegam carregadas pela dança até nós?

Quantos preconceitos e códigos de conduta ultrapassados continuam sendo reproduzidos através das danças, porque se repete muito e se reflete muito pouco o sobre próprio fazer?

Eu mesma, em minhas aulas, utilizo termos com "a dama", "o cavalheiro", "o moço", "a moça", quando poderia utilizar "a pessoa que estiver propondo o movimento", "o condutor", "o conduzido", "o parceiro ou a parceira". Esses termos antigos estão arraigados no meu modo de dar aula, pois eu os ouvi milhões de vezes durante a minha própria formação e eles não são inocentes, vem carregados de sentidos.

Quando afirmamos que "o homem conduz e a mulher segue", "o homem manda e a mulher obedece", quais valores estamos transmitindo inconscientemente? De que mulheres não são capazes de se bastarem sozinhas, não tem condições de liderar e ao mesmo tempo, que recai tanta responsabilidade sobre os homens que à eles não é permitido soltar-se prazerosamente durante a dança.
"O homem é a moldura e a mulher é a pintura", tantas afirmações definidoras... Porque o homem também não pode ser pintura?

Indo mais além, se repararmos nos figurinos masculino e feminino, principalmente no Tango, no Bolero, na Valsa, que são considerados ritmos mais conservadores, os homens estão sempre de roupas escuras, sóbrias, quando dançam contra a um fundo escuro então, mal se vê um rostinho flutuante, enquanto às mulheres são permitidas as cores, plumas, brilhos e babados, mesmo quando vestidas de preto, há rendas, arrastão, fendas, etc.



Nem estou entrando no mérito da plurissexualidade, pois é injusto que casais de mesmo sexo não possam dançar entre si, mas a necessidade de que se tenha uma pessoa do sexo feminino e uma pessoa do sexo masculino para dançar é uma prática excludente. Fato, nunca haverá a mesma quantidade de homens e mulheres no mundo. Eu, como professora, diversas vezes preciso conduzir meus alunos, homens e mulheres, para lhes possibilitar uma melhor compreensão de determinado movimento, mas em alguns bailes já fui censurada, por querer dançar com meus alunos como quem conduz, por ser mulher.

Hoje em dia há mais abertura para se debater o assunto e em muitos bailes e práticas as pessoas se alternam na condução e dançam com quem quiserem, independente do sexo, mas é preciso continuar a discussão, pois ainda há muito preconceito e desconhecimento que excluem e afastam as pessoas das Danças de Salão.

Sempre oriento meus alunos e alunas no sentido de que nós aprendemos à ouvir e falar através da dança. Eu digo algo e espero a resposta, eu ouço a pergunta antes para poder responder e posso fazer uma nova pergunta se eu quiser. Assim, como numa conversa, se houver realmente parceria e paciência, as duas pessoas podem falar e serem ouvidas.

Ao contrário do que se pensa, uma postura totalmente passiva por conta da pessoa que é conduzida não melhora a performance artística, pelo contrário, é o compartilhamento da responsabilidade que dá leveza e permite que ambos possam se expressar livremente durante a dança e darem idéias durante um improviso.

Em nossa sociedade atual, não é mais concebível essa noção de "homem supridor de todas necessidades" e "mulher frágil e indefesa", porque então continuarmos dançando assim?

Compartilho com vocês o texto de Sheila Santos, sobre como uma maior "pró-atividade" por parte da pessoa que acompanha a condução pode intensificar a qualidade da dança.



sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Vídeo: dicas de condução para Dança de Salão


Faz mais de um ano desde a última vez que postei no blog, então tomei vergonha na cara e resolvi compartilhar com vocês esse vídeo, bem bacana, que dá algumas dicas para quem quer aprimorar sua condução na dança de salão.

O vídeo é bem curtinho, divertido e leve de assistir, você não vai se arrepender de separar esses minutinhos para ver o que o Professor Leonardo Bilia, de Campinas, diz sobre o assunto.

De um outro jeito, com outras palavras, ele explica algumas coisas que sempre tento dizer aos alunos. Menos pode ser mais! Economize energia e não tenha um tônus tão alto que possa te machucar e machucar a pessoa que está dançando com você.

Dançar à dois é um convite do início ao fim: vamos juntos?