Neste mês, no CINEPES (Cine para Promoção do Envelhecimento Saudável), estarei coordenando a exibição, seguida de bate-papo, do longa metragem japonês "Dança Comigo" (Shall We Dansu, 1996), e contarei com a participação dos residentes de Geriatria do HC (FMUSP) na mediação do bate-papo.
O evento é gratuito e, embora tenha como público-alvo idosos e profissionais que trabalhem com esse público, não há restrição de idade para a participação.
A exibição ocorrerá no dia 27 de fevereiro de 2013, quarta-feira, às 14:00 horas, no auditório do CEAF, R. Japuanga, 235. (Praça Waldir Azevedo). Próximo à Rua Cerro Corá, altura do número 1200. Vila Romana. São Paulo.
Como prometido, postarei aqui alguns materiais complementares à apreciação do filme, como fotos, vídeos, informações e curiosidades sobre o longa.
Sinopse:
Shall We Dansu é um filme japonês, de 1996, dirigido por Masayuki Suo, que conta a história de Shohei Sugiyama, um homem bem sucedido, que trabalha como contador em uma empresa, casado e com uma filha, que acaba de comprar sua casa. Shohei trabalha para pagar as prestações de sua casa e tudo deveria estar em ordem, porém, ele sente algo, uma tristeza ou um vazio que não tem motivo. Um dia, Shohei voltando do serviço para casa de metrô, vê uma bela jovem na janela de um prédio. Ela também parece triste e sua figura desperta a curiosidade de Shohei, que toma coragem de ir ao seu encontro, o que o leva à um caminho inesperado. Porém, toda decisão tem suas consequências, sejam elas boas ou ruins e a atitude de Shohei vai desencadeando uma série de eventos relacionados às pessoas com quem convive e situações que presencia.
Embora Shohei seja o protagonista dessa história, os personagens com quem ele vai interagindo durante o filme não são menos expressivos e nos apresentam uma série de personalidades que bem poderiam ser eu ou você ou alguém do seu lado. Pessoas reais, tímidas, com orçamento apertado, frustradas, mas com algo em comum, buscam na dança alguma alegria para suas vidas.
Shall We Dansu é diferente dos filmes holywoodianos de dança comuns, que possuem enredo fraquinho que permeia cenas virtuosísticas e às vezes até acrobáticas de dança, ele faz uma crítica aos costumes, à repressão social do japão e reflete sobre conceitos contundentes da dança de salão.
Embora seja um filme profundo, não é denso, pelo contrário, é um filme super leve, pois além de mostrar belas cenas de dança, sutis, delicadas, sem "malabarismos", leva ao pé da letra o ditado "Ridendo Castigat Mores" (com o riso se castigam os costumes), pois as personagens do filme, oprimidas em seus cotidianos, acabam por extravasar suas emoções na dança, criando situações muito engraçadas. Vale a pena assistir do início ao fim.
Algumas fotos do filme:
(clique sobre a foto para vê-la em tamanho maior)
Capa do DVD do filme distribuído no Japão
Capa do DVD do filme distribuído nos EUA
Shohei entediado no metrô
Shohei vê Mai pela janela
Shohei pede informações na secretaria da escola de dança
Shohei começa a fazer aulas de dança
(nenhuma começo é fácil! rsrsrs)
Companheiros de turma de Shohei
Professora Tamako arrumada para o baile
Professora Mai com um dos poucos sorrisos que ela dá no filme
(assista e saiba porquê!)
Mai conta para Shohei seu segredo
Tomio, colega de trabalho de Shohei e sua parceira de dança
Tomio, colega de trabalho de Shohei e sua parceira de dança
Mai começa a treinar Shohei para a competição de dança
Tomio e Shohei treinando passos de dança no banheiro da empresa onde trabalham
Tomio e sua parceira, Toyoko, durante a competição de dança
Mai treinando Shohei para a competição de dança
Shohei e Toyoko durante a competição de dança
Shohei e Toyoko durante a competição de dança
Em uma das cenas do filme, a professora Tamako conta à Shohei que começou a dançar por causa de um filme que assistiu quando menina, esse filme existe de verdade, chama-se "O Rei e Eu" (The King and I, 1956), um musical, inspirado em uma peça da Broadway, dirigido por Walter Lang, com Deborah Kerr e Yul Brynner como os artistas principais. A cena à que a professora se refere é a que a professora inglesa ensina o rei do Sião à dançar valsa, essa cena e é embalada pela música Shall We Dance, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein, que é o que dá o nome ao filme japonês.
Aqui está uma foto dessa cena de "O Rei e Eu" (clique sobre a foto para vê-la em tamanho maior):
Tentei encontrar em vídeo essa cena, que é muito bonita, mas não consegui a cena original do filme, apenas esse trecho da animação feita sobre o filme, que já dá pra ter uma idéia, quem puder, assista o filme original:
Aqui tem também um video engraçado com erros de gravação e cenas que foram cortadas do filme Shall We Dansu:
"El Chamuyo", de Francisco Canaro, o primeiro tango a ser registrado em uma matriz para discos na América Latina, foi gravado na casa A Electrica, em Porto Alegre, Brasil, entre 1914 e 1915.
Escute no link abaixo a gravação original de "El Chamuyo":
Grupo que realizou a gravação pioneira: Emilio Marchiano (violino), Luis Teisseire (flauta), Francisco Canaro (violino), Leopoldo Thompson (violão) e Pedro Polito (bandoneon). Ao centro, os irmãos Leonetti, donos da gravadora.
Como eram feitas as gravações na época da A Electrica.
Partitura de "El Chamuyo" para piano.
Pode se ver uma "piadinha" na ilustração da capa, Chamuyo é uma palavra do Lunfardo (gíria tangueira) que significa tentar convencer alguém através de mentiras e/ou palavras carinhosas, contar vantagem, aumentar ou inventar fatos. Para nós seria como uma "cantada" ou um "xaveco". :D
Recorte de O Estado de São Paulo (28/08/1980)
Recorte de Jornal da Tarde (28/08/1980)
*Dica: clique sobre as imagens da postagem para visualizá-las no tamanho original!
;)
Referências:
- Primeira imagem: capa do livro "A Eléctrica" de Hardy Vedana.
No último domingo, a comunidade tangueira carioca realizou um evento inédito: a Caminhada do Tango. No intuito de atrair público novo para os bailes de tango, casais percorreram um trecho da Av. Atlântica, no bairro de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, dançando
tango, mostrando à população que o tango não é
somente acrobático como divulgado nas mídias.
Ao ser entrevistada, Nilce Oliveira, uma das organizadoras da caminhada, declarou: “Chegamos à conclusão de que a maioria
das pessoas conhece o tango através de shows e exibições (o tango cenário), o
que faz com que se sintam intimidados por pensar que a dança requer determinado
tipo físico e habilidades atléticas”.
Elza Moreira, outra organizadora entrevistada, explicou: “Como não podemos levar o grande público às milongas para
conhecer a modalidade ‘salón’ do tango, resolvemos levar a milonga ao grande
público."
Foram convocados todos os dançarinos de tango de todos os níveis, idades e tipos físicos, para o baile ao ar livre, onde, em vez de se deslocarem na ronda tradicional (sentido anti-horário), os casais moveram-se linearmente pela Av. Atlântica, do Posto 6 até o Copacabana Palace.
A organização do evento não pertenceu a nenhuma escola, por isso foram convidados todos os profissionais, professores e escolas, para que divulgassem o evento e participassem junto de seus alunos que, segundo Elza, são seu melhor cartão de visitas. A participação no evento poderia ainda ser aproveitada para divulgação de contatos entre os expectadores, potenciais futuros alunos, finaliza Elza.
A Caminhada do Tango ocorreu em 29 de julho de 2012. A concentração teve início uma hora mais cedo, às 15h, em frente ao cruzamento da Av. Atlântica com a R. Francisco Otaviano (Forte de Copacabana). O "baile itinerante" teve duração de duas horas, com conclusão às 18h.
Seguindo as recomendações de Elza Moreira, do site
Momentos de Tango, os participantes usaram roupas informais, facilitando a identificação do público com os dançarinos.
Uma aparelhagem de som seguiu os dançarinos ao longo da
avenida, garantindo a música para a performance.
Umas das mais lindas animações que já vi sobre o tema, a pesquisa de referências estéticas e históricas sobre as origens do Tango foi perfeita. Em seu início, o tango era muito dançado entre homens, com o vigor e a violência característicos do sexo, a dança mais se assemelhava a uma luta. As raras parceiras eram disputadas, aqueles que se sobressaiam tinham a honra da dança.
Agradeço a minha aluna Marilice, quem me trouxe a reportagem acima citada.
(Otag - Orquestra Típica Agustín Guerrero)
Já os preparo para a acidez e sinceridade do jovem músico entrevistado.
Não concordo quando ele diz que há algumas músicas "batidas", "fora de moda" que não devem mais ser tocadas, acredito que músicas realmente boas e belas são clássicas e eternas, cabe aos músicos da atualidade reproduzirem-nas em belos arranjos, seguindo gostos e tecnologias atuais.
Já pararam pra pensar como a tecnologia de gravação de músicas mudou de 1940 para 2012???
Talvez seja difícil para a maioria de nós querer em seu Ipod, para ouvir a qualquer hora, um tango gravado naquela época, mas ouçam uma versão de La Cumparsita tocada por uma orquestra atual, conseguimos rapidamente apreciar sua poesia.
(Madero Tango)
No entanto, dou total razão a Agustín Guerrero, quando fala sobre os espetáculos "para turistas", na verdade ele não está criticando a classe turística, tão importante para a movimentação de qualquer economia (e tão importante para saúde mental de qualquer pessoa... rsrsrs), mas sim esse fenômeno simplificador das manifestações culturais, que resume e espreme e toda qualquer essência de originalidade empacota e vende como Cultura de Massa exibida na televisão, em CDs de coletâneas e shows caríssimos.
(CD vendido à 5 reais pela internet)
A essência do tango é a sociabilização e a cultura popular, é abrir espaço para qualquer pessoa entrar, participar e se sentir fazendo parte de um grupo, através de seus bailes, as Milongas. Onde ficou essa essência nas pessoas sentadas tão distantes dos palcos e bailarinos, em luxuosos e caríssimos jantares?
Não é só o tango que sofre massificação, mas acredito ser de extrema importância o respeito às tradições e aos tesouros antigos.
(Milonga Daniel Salazar com a Otag tocando ao vivo)
Cleo Beolchi é Bacharel e Licenciada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada em Gerontologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Arte-educadora, intérprete-criadora e pesquisadora. Estuda dança desde 2000, além do Tango, trabalha com outros ritmos de Dança de Salão, Balé Clássico e Dança Contemporânea. DRT 31 687
JEKYLL & HYDE.
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Nando Prado, Kiara Sasso e Kacau Gomes serão protagonistas do musical da
Broadway *Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro,* que estreia no Brasil em
julho. ...